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Turismo de Cabo Verde – Prestes a completar 10 anos de existência, em julho, a Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde (EHTCV) tornou-se numa referência no país, tendo já colocado cerca de 5.500 formando no mercado, com uma taxa de empregabilidade superior a 75%, a mais elevada do arquipélago em todas as áreas de ensino.

Os dados foram avançados ao Mercados Africanos (MA) pelo presidente da instituição de ensino profissional, Sérgio Sequeira (SS).

Afetada também pela pandemia do novo coronavírus, o dirigente disse, nesta segunda e última parte da entrevista, que a escola está num momento de transição, apostando em formação contínua e reciclagem de classes profissionais, mas a ambição é grande e após a crise vai apostar no ensino à distância e na internacionalização, recrutando alunos da Guiné-Bissau.

MA: A internacionalização está nos vossos planos?

SS: A internacionalização da escola é um dos grandes pontos que nós começámos desde 2018, nós temos um projeto ambicioso que está a ser desenvolvido desde 2017, 2018, e 2019, e que ainda está em curso, que é um projeto de cooperação triangular entre Cabo Verde, Luxemburgo e São Tomé e Príncipe.

Mas para além disso temos outros projetos a nível da internacionalização, como um recente protocolo que assinamos com a associação dos diretores de hotéis de Portugal. Vamos implementar brevemente uma formação para gestores de hotéis, mas também estamos neste momento em conversações com parceiros europeus, no quadro de um projeto chamado SAM, em que participam nove países europeus e 17 países africanos e Cabo Verde é representado pela Escola de Hotelaria e Turismo.

MA: Já recebem alunos de São Tomé e Príncipe. Há perspetivas de receber de outros países?

SS: Com certeza. O nosso próximo passo se calhar será trazer alunos da Guiné-Bissau. Esse é um dos nossos planos, depois de São Tomé e Príncipe havia essa possibilidade e nós vamos continuar a trabalhar para isso.

Nós já trabalhamos com Angola no passado, já tivemos alguns contactos com Moçambique, mas temos trabalhado sobretudo com São Tomé e Príncipe e, como eu disse, está na carteira a possibilidade de trabalhar com a Guiné-Bissau.

E no passado também fizemos alguns contactos sobretudo de passagem de conhecimentos e boas práticas com o Brasil e Portugal, que é um dos nossos grandes parceiros.

MA: Desses cerca de 5.500 formandos, quantos são de São Tomé e Príncipe?

SS: São 60 são-tomenses formandos nas diversas áreas, desde gestão hoteleira, cozinha, restaurantes, pastelaria e serviços de andagem e lavandaria.

MA: Que constrangimentos a escola tem encontrado neste percurso?

SS: Os constrangimento que todas as empresas possam sentir para estarem a funcionar neste ramo. Nós temos custos de funcionamento extremamente elevados, como todas as escolas de hotelaria têm no mundo todo, a única coisa é que temos de encontrar soluções e caminhar para a frente. Os constrangimentos são feitos para serem transformados em desafios e os desafios transformados em vitórias.

MA: Que investimentos a escola tem feito?

SS: A escola foi um projeto da cooperação luxemburguesa, continuamos a trabalhar com a cooperação luxemburguesa, mas o Governo de Cabo Verde é o acionista principal da Escola de Hotelaria e Turismo e nesse caso temos vários projetos que passam pelo Governo de Cabo Verde, através do Fundo do Turismo, e de outras entidades. Neste momento a maioria dos projetos que desenvolvemos recentemente foi através do Governo, através do Ministério da Turismo e Transportes, com o financiamento do Banco Mundial.

MA: Nessa formação contínua e reciclagem, deram formação a tratadores de peixe do Cais de Pesca da Praia. É um novo nicho?

SS: É verdade. Todas essas profissões fazem parte da cadeia de valor do turismo e da questão da hotelaria e da restauração. Nós temos que estar atentos, mas sobretudo é importante valorizar as profissões, quem fazem parte dessa cadeia de valor, para que ninguém fique de fora e para que todos nós possamos trabalhar na qualidade para este setor e transmitir a confiança necessária para quem consome os nossos produtos e consome Cabo Verde e que possa falar não só internamente, mas internacionalmente da qualidade dos nossos serviços.

MA: Que desafios a escola tem para o futuro?

SS: Nosso grande desafio neste momento vai ser levar a escola para um outro patamar, que é fazer o passo necessário para que possamos fazer um ensino à distância. Esse é o nosso grande desafio neste momento, além de manter a escola em funcionamento e dar continuidade às nossas formações.

MA: Esse ensino à distância para levar a escola a todas as ilhas?

SS: Nós já o fazemos, já levamos a escola a todas as ilhas porque os projetos que implementámos de 2017 a 2019 e em 2020 estavam em curso, mas tivemos que interromper. Anualmente nós já trazíamos alunos de todas as ilhas para a cidade da Praia, onde estavam alojados, tinham alimentação, tinham uma bolsa que financiava a propina deles. Isso já fazemos.

Mas este momento de covid-19 mostrou-nos que já não podemos estar a trazer cerca de 200 a 250 alunos anualmente das outras ilhas para a cidade da Praia para fazer formação, tendo em conta que esta situação nos mostrou que de um momento para o outro tudo pode mudar.

Então vamos tentar fazer um modelo misto, em que o presencial e o online possam trazer a formação, e não só, através da qualidade de um ensino à distância, mas também não deixando de parte a questão prática, porque o ensino profissional é um ensino prático e temos que continuar a ter o enfoque na prática e sobretudo na mudança de comportamento de quem frequenta a Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde.

Turismo de Cabo Verde

Leia a primeira parte desta entrevista

Mercados Africanos entrevistou Sérgio Sequeira presidente da Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde (EHTCV).

FONTE > MERCADOS AFRICANOS

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