A administração do Grupo WM decidiu reinvestir os lucros no país e assim surgiu a Turiagro, empresa que se dedica ao cultivo e comercialização de produtos hortícolas e frutícolas. Para já, o mercado nacional absorve toda a sua produção mas a exportação poderá, em termos futuros, ser um dos objectivos da Turiagro. Filipe Pescada, director-geral do Grupo WM, confessa que apesar do crescimento registado a actual falta de divisas no país tem condicionado o desenvolvimento e modernização da Turiagro. No entanto, os projectos não param de surgir no seio da empresa e uma das próximas apostas será no sector da pecuária.

O Governo continua a adoptar medidas para que a economia nacional não dependa tanto das receitas petrolíferas. A TuriAgro actua no sector agro-pecuário. De que forma as medidas estatais implementadas têm ajudado a empresa a desenvolver e dinamizar a sua actividade?

A agricultura e, em especial, o desenvolvimento das actividades agro-industriais são apontados pelo Executivo como “prioridades nacionais”. “A cadeia produtiva de valores do sector tem uma forte influência na diversificação da economia diante do actual cenário macroeconómico”, pode ler-se no Orçamento Geral do Estado (OGE). Contudo, e apesar das medidas adoptadas pelo Executivo, é necessário intensificar os apoios, mais concretamente na subvenção do gasóleo agrícola, no aumento considerável das infraestruturas eléctricas de várias fazendas, na recuperação das vias de comunicação (estradas), no seguro agrícola e na formação de quadros. Todavia, existe neste momento um factor determinante na viabilidade e até na rentabilidade, que passa pelo acesso às divisas, desde que devidamente validadas e justificadas, tendo como base o projecto e o volume de negócios de cada empresa. No que respeita à Turiagro os investimentos têm sido realizados através de capitais próprios e reinvestimento dos lucros de diversas actividades do Grupo WM.

Como tem a Turiagro contornado a crise financeira e económica que o país atravessa? A empresa registou algum impacto na sua actividade?

Estes tempos de crise têm um impacto muito grande e até vital nas empresas e seus projectos agrícolas que, estando em fase de franca expansão, precisam de recorrer a insumos agrícolas, sementes e maquinaria ao exterior. A escassez de divisas tem dificultado e prejudicado o desenvolvimento atempado dos nossos projectos de cultivo. Porém, estamos a trabalhar para vencer as dificuldades e, como diz o provérbio, “A necessidade aguça o engenho”.

A TuriAgro integra o Grupo WM. Como e quando surgiu a criação da empresa e que tipo de produtos e serviços disponibiliza no mercado nacional?

Além da paixão pela agricultura do administrador e fundador, Rogério Martins Leonardo, que em muito pesou nesta decisão, ela foi conscientemente uma aposta estratégica do Grupo WM. A administração decidiu que o reinvestimento de lucros deveria ser realizado em Angola em detrimento da internacionalização, procurando-se, assim, investir em sectores estratégicos e com elevado potencial, como são os casos da Agricultura e da Pecuária. Neste momento os nossos produtos mais comercializados são os hortícolas e frutícolas, com especial destaque para a produção da banana de mesa e mamão.

Este projecto do Grupo WM está a corresponder às expectativas?

Sim, investir na agricultura é, sem dúvida, uma aposta ganha. No entanto, nestes sectores, as apostas são sempre realizadas a médio e longo prazo…

Em que locais podem ser adquiridos os produtos da empresa?

Os nossos produtos estão à venda em todas as grandes superfícies comerciais do país, são elas os nossos principais clientes. Mas também temos pólos comerciais nas fazendas do Caxito e da Lucala, assim como uma filial no Golfe 1 – Rua Machado Saldanha.

A produção é escoada apenas no mercado nacional ou a empresa já exporta?

Neste momento o mercado interno absorve toda a nossa produção, inclusive os níveis de procura internos continuam a aumentar. Isso não invalida que estejamos atentos à possibilidade de exportação. Temos sido contactados por potenciais clientes oriundos quer dos mercados potenciais – África e Europa – quer de outros locais do globo. Em todo o caso, a decisão de exportação requer que os factores de produção sejam economicamente competitivos e permitam preços concorrentes com o mercado externo.

Em que locais possui a TuriAgro as suas fazendas? Quantos hectares tem disponíveis actualmente para cultivo?

As fazendas do Grupo Turiagro estão localizadas em três províncias: Bengo, Kwanza Norte e Kwanza Sul, dispondo neste momento para cultivo cerca de 2.400 hectares.

 

turiagro2Como analisa o actual sector agrícola nacional e toda a sua cadeia de produção? Considera ser um sector fulcral para que o país ultrapasse rapidamente a crise que atravessa? O que é urgente mudar?

De norte a sul do país há bons exemplos do que Angola é capaz de produzir, mas o crescimento e o desenvolvimento do sector agrícola nacional está ainda muito dependente dos investimentos que o Executivo angolano terá de fazer. No que respeita à cadeia de produção, dizer que esta irá beneficiar em muito com o potencial crescimento da rede de distribuição das grandes superfícies. É necessário continuar a investir no enorme potencial agrícola e também na agro-indústria, fundamentais no processo de diversificação da economia, que o país tanto necessita, com objectivos de longo prazo ao nível da auto suficiência. Contudo, será um erro pensarmos que a curto prazo a agricultura possa ser auto-suficiente ou mesmo contribuir, decisivamente, para a diversificação que tanto se pretende. Tratam-se de actividades de médio e longo prazo, com uma série de factores e variáveis determinantes no sucesso ou insucesso. Como já referido, é fundamental investir nas infraestruturas e dar maior apoio às empresas e projectos que verdadeiramente funcionam e apresentam resultados.

No país privilegia-se os produtos de origem nacional ou dá-se preferência aos que são importados?

De uma maneira geral consideramos que, garantindo qualidade e competitividade dos preços, os produtos de origem nacional têm a preferência dos consumidores.

Desde que iniciou a sua actividade, a TuriAgro conseguiu de algum modo ajudar o país a reduzir a importação de bens hortícolas e frutícolas?

Pensamos que sim, é para isso que trabalhamos, embora a produção agrícola do país ainda esteja muito aquém das necessidades internas, até porque toda a produção tem como destino o mercado nacional. Hoje Angola é auto-suficiente na produção de alguns produtos como por exemplo a banana de mesa e isto muito se deve certamente ao nosso contributo como grande produtor.

Qual a capacidade de produção anual da TuriAgro?

A nossa capacidade de produção tem vindo a crescer todos os anos e embora tenhamos outros produtos em cultivo, como a uva, limão e manga, a nossa produção tem, nesta fase, uma maior preponderância na banana (12.500 toneladas/ano), mamão (300 toneladas/ano) e maracujá (30 toneladas/ano).

O crescimento da empresa deve-se também a uma constante aposta na modernização dos meios, técnicas e equipamentos utilizados na produção agrícola?

Sim, sem esta constante aposta não seria rentável, nos dias de hoje, a evolução de um projecto agrícola a esta escala. Todavia, verificam-se algumas demoras e atrasos originados por problemas estruturais já mencionados. A falta de divisas na banca, sobretudo nos últimos tempos, condicionou gravemente a modernização. A par da conjuntura nacional, temos tido a capacidade em ultrapassar os problemas criados pela falta de mão-de-obra nacional qualificada em quantidade suficiente para dar resposta às diversas exigências na utilização de equipamentos/máquinas ou know-how em técnicas de cultivo.

Outra das actividades da empresa é a pecuária. Como está a correr este projecto?

Estamos ainda numa fase inicial do projecto, a criar condições de logística, estimando o seu início para o segundo semestre do próximo ano.

No final de 2014, a TuriAgro aderiu ao programa “Feito em Angola” que visa promover as empresas que produzem os seus bens no país. O selo “Feito em Angola” acarretou algum tipo de responsabilidade à empresa?

Sim. Desde 2014 que orgulhosamente envergamos o selo “Feito em Angola”, embora já fizesse parte da nossa génese a nível do Grupo, existe sempre uma enorme foco na protecção da produção nacional. A constante aposta na melhoria da qualidade dos nossos processos produtivos é uma bandeira que sempre utilizamos. No entanto, com a atribuição deste selo, somos ainda mais rigorosos no trabalho que temos vindo a desenvolver. Será, certamente, uma mais valia no momento em que se reunirem as condições adequadas para exportação.

Que projectos tem a empresa em termos futuros? Estão a pensar apostar no cultivo de novos produtos ou em aumentar o número de fazendas?

Estamos precisamente a aguardar um financiamento junto da banca para darmos início a uma segunda fase de cultivo na Fazenda do Caxito, mais concretamente a manga (40 hectares), banana de mesa (mais 180 hectares), uva (17 hectares), limão (10 hectares), mamoeiro (mais 17 hectares) e maracujá (mais 20 hectares).

 

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