TERMAS RÁDIUM: DO MILAGRE À RUÍNA. A HISTÓRIA DE UM DOS LUGARES ABANDONADOS MAIS FASCINANTES DE PORTUGAL

É um filme de fantasmas e o enredo desenrola-se entre o Terreiro das Bruxas e a aldeia Quarta-feira. Os protagonistas são um castelo fantasma e águas radioativas.

Na estrada que liga o Terreiro das Bruxas a Caria, próximo de Casteleiro, vemos ao longe um castelo de granito no meio de uma encosta árida, cheia de pedras, da serra da Pena.

Na verdade, não é um castelo mas assim parece ao longe. É um antigo complexo termal com hotel.

As Termas Rádium devem ter um século de existência. São cinco blocos, todos de granito e com janelas e colunas.

No sopé, junto à estrada para Sortelha, está escrito num penedo o lugar de entrada e uma seta que indica que é um pouco mais à frente.

O esqueleto dos edifícios ainda ficam distantes da estrada, mas, destaca-se de tal forma e desperta igual curiosidade, que muitos visitantes de Sortelha também tentam ir às termas de Radium. “Algumas passam na estrada, vêm o edifício e vão logo visitá-lo”.

“Outras visitam Sortelha e depois vão lá abaixo”, diz Sandra Candeias Paulo que tem um café em Sortelha, na estrada que nos leva às antigas termas.

Ela acrescenta que o espaço é também procurado pelas pessoas da região. Mas a memória das termas é escassa. “Ainda há algum idoso que se lembra daquilo mas as pessoas já não falam muito. Com a história que vai passando sabemos que eram umas termas que estavam a funcionar. Depois fecharam porque disseram que fazia mal à saúde. Agora já disseram que não e por isso tentaram reabrir.”

Sandra Candeias Paulo contou-me que a relação dos locais é mais pelo enquadramento paisagístico e das ruínas. Um cenário que até tinha sido recentemente utilizado para fotografias de um casamento.

Para se aceder às antigas termas temos de fazer uma pequena caminhada e minutos depois surge um penhasco de pedras enormes, a encosta coberta de paredes vazias, janelas que deixam passar a vista para o céu e, rapidamente, se percebe que estamos perante construções que teriam sido grandiosas.

A cantaria foi trabalhada ao pormenor. Escadarias de pedra que nos encaminham para miradouros da obra enorme que está na parte de trás.

Na entrada do complexo está uma máquina a vapor ferrugenta e ao lado uma pedra de grandes dimensões que nos encaminha para o que foi a receção.

Pouco se dá por ela devido à monumentalidade das antigas termas e do hotel. Está tudo vazio, ao abandono. Nas traseiras do hotel evidencia-se a fachada já com fortes sinais da erosão do tempo e do abandono.

Teve uma ascensão tão rápida como a decadência. O motivo é o rádio e as águas de umas minas que estão próximas. No início do século XX, as águas com rádio eram miraculosas e rapidamente surgiram visitantes. Há uma lenda que um espanhol, conde Rodrigo, terá mandado construir as termas depois da cura da filha com água das minas. O sucesso foi tão grande que até venderam no estrangeiro água engarrafada: “Água Radium – dá saúde, vigor e força”.

A empresa que explorava as termas era inglesa e alguma da exportação foi para Londres. Ganharam fama as Águas Rádium até à Segunda Grande Guerra. As notícias sobre os efeitos devastadores da radioatividade e os avanços da Ciência foram dramáticos para as termas e de seguida para o hotel.

Décadas depois os donos tentaram reconstruir o hotel mas não conseguiram. “Nunca chegou a abrir. Quiseram restaurar para abrir um hotel. Entretanto chegaram a fechar o acesso, era interdito. Não deixavam entrar ninguém.

Agora pode-se ir lá. Havia umas correntes que foram retiradas e as pessoas já podem ir visitar, testemunha igualmente Sandra Candeias Paulo

Foram tentados outros projetos, mas nada alterou a decadência do lugar. O que não lhe retira encanto.

Termas Rádium – do milagre à ruína faz parte do programa da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.

 

FONTE > SAPO VIAJAR

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