A Presidência Portuguesa da União Europeia vai combinar a «resposta imediata à crise pandémica com uma «visão de longo prazo» que permita construir uma Europa «capaz de se adaptar» e de responder «às expetativas dos cidadãos».

Na conferência online «Pré-Presidência Portuguesa», a Secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias disse que o objetivo é «agir perante a situação atual, dar aos cidadãos aquilo de que precisam realmente e, ao mesmo tempo, olhar para o futuro e ser capaz de trabalhar para a resiliência».

Ana Paula Zacarias afirmou também que a «primeira prioridade» do programa da presidência portuguesa é a resiliência da Europa, acrescentando que a mesma consiste na «capacidade de adaptação, de lidar com pressões externas, assegurando uma resposta que englobe as expetativas dos cidadãos» nas «circunstâncias extraordinárias» que a pandemia de covid-19 criou.

A visão a longo prazo, para os próximos 10 anos, deve assim, segundo a Secretária de Estado, combinar a recuperação económica com «a ação climática, a inovação, a coesão social e uma agenda externa coerente», numa agenda assente nos «valores fundamentais».

Sobre a necessidade de lançar a recuperação económica «de uma forma muito imediata», Ana Paula Zacarias referiu que há uma problema criado pelo veto da Hungria e da Polónia ao acordo sobre o orçamento da União Europeia para 2021-2027 e o Fundo de Recuperação que lhe está associado, num valor total de 1,8 biliões de euros de que os 27 precisam quanto antes.

«Preparámos uma visão juntos, preparámos um programa juntos, mas neste momento não temos os instrumentos financeiros para tornar essa visão uma realidade», disse, sublinhando que o impasse tem de ser resolvido «até ao final do ano», caso contrário, vai ser muito difícil convencer os cidadãos europeus de que a União Europeia funciona mesmo»

Para a Secretária de Estado a recuperação europeia deve ser construída sobre três pilares: a sustentabilidade e a inovação, «a famosa dupla transição ecológica e digital», e «o bem-estar» dos cidadãos, ou as políticas que permitirão evitar os efeitos negativos daquela transição, «o coração» da presidência portuguesa.

«Significa olharmos para o modelo social europeu e para sua relevância. Sem ele, onde estaríamos? É este modelo que nos permite ter subsídio de desemprego, medidas de combate à pobreza ou à desigualdade, cuidados de saúde», frisou, apontando o modelo social europeu como «o fator distintivo» da Europa.

 

FONTE > GOVERNO PORTUGAL

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