Portugal está na moda! Pelo menos do ponto de vista do turismo. Basta vermos a azáfama em Lisboa, Porto ou noutras cidades do país, ou até mesmo fora delas. Em 2012, devido ao duro impacto da crise, víamos estas cidades desoladas com ruas inteiras de lojas fechadas. Não me sai da cabeça a Rua Conde do Redondo, em Lisboa, apenas com dois ou três cafés abertos, a tentarem sobreviver.

Por sorte, por investimento estatal, pela história, pela cultura, pela gastronomia ou por outro motivo, o que é um facto é que Portugal está na moda. Muitos negócios floresceram. E é bastante animador verificar que muitas dessas lojas hoje estão abertas, grande parte em negócios relacionados com o turismo.

Os números são expressivos. Em 2004 visitavam-nos pouco mais de três milhões de hóspedes, hoje superam os 4,5 milhões. A oferta tem acompanhado. Em 2009, só em Lisboa, havia 413 estabelecimentos hoteleiros, atualmente são mais de 425. Impressionantemente, apesar do aumento da concorrência, a taxa de ocupação, no último ano, cresceu de 41 para 48%.

Apresento todas estas estatísticas, para falar da mais interessante – os turistas dos cruzeiros que há muitos poucos anos atrás gastavam, em média, 90 euros por menos de um dia de estadia e, segundo dados muito recentes, este valor supera hoje os 140 euros.

Este crescimento é um tributo ao cariz inovador dos nossos empreendedores, cada vez mais voltados para o turismo. As cidades reinventaram-se para estar orientadas para os turistas, para lhes mostrar o que sabemos fazer. Os mercados renasceram e passaram a fazer parte dos itinerários, os museus e monumentos públicos oferecem mais e melhores serviços e surgiu uma infinidade de roteiros, guias, sites e blogues que mostram os pontos mais interessantes, desde os mais conhecidos aos mais secretos. Surgiu uma variedade de negócios: tuk-tuk, pontos móveis de venda de recordações ou alimentos, passeios anfíbios, aluguer de bicicletas e outros «meios» de transporte (cada vez mais estranhos).

São proporcionadas aos turistas experiências das mais diversas, daí o apelo ao consumo no nosso país, o que é bastante positivo, em quase todos os aspetos, menos um. Tradicionalmente o português é pródigo em imitar, copiando negócios que «estão a dar». Muitas vezes, esses negócios não são originariamente portugueses, o que, numa primeira fase pode ser inovador e diferente, mas que pode por em causa a genuinidade do que temos para oferecer, a nossa grande vantagem competitiva. Até que ponto, a proliferação de determinadas atividades, leia-se, uma verdadeira invasão, não acaba por ter efeitos negativos naquilo que os turistas mais valorizam no nosso país.

Álvaro Lopes Dias

 

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