Delfim Correia da Silva chegou a Goa em abril de 2008, para assumir a gestão do Centro de Língua Portuguesa do Camões, I.P. em Goa e o Leitorado de Português na Universidade de Goa. Tinha concluído o Mestrado em Estudos Portugueses Interdisciplinares, formação que o fez sentir-se “ainda mais bem preparado” para o novo desafio que acabava de abraçar. Depois, percebeu de imediato que Goa “era um local muito especial”.

É nesta cidade com fortes e seculares ligações a Portugal que cerca de 1500 alunos aprendem a língua portuguesa nos vários níveis de ensino oficial, ministrada por 30 professores no secundário e cinco docentes no ensino superior, dos quais três na universidade e dois nos “colleges”. O português é disciplina curricular e opcional nos 8º, 9º e 10º anos do ensino secundário, nos 11º e 12º anos do ensino secundário complementar e integra ainda uma experiência-piloto, iniciada em 2014-2015 numa escola privada em Pangim, que o introduziu 5º ano.
Já a nível superior, o Parvatibai Chowgule College em Margão e o St. Xavier College, oferecem programas de Licenciatura, B.A. (Bachelor of Arts degree) Minor e B.A Major “a uma centena de alunos”, informa ainda Delfim Silva, acrescentando que na Universidade de Goa, há um M.A. (Master of Arts) e um M.Phil (Master of Philosophy), com 12 alunos, além de diversas disciplinas opcionais e curriculares seguidas por “quase 200 alunos de diversos departamentos”. De referir que a Universidade de Goa tem o único Departamento de Português autónomo em toda a Índia. Para além deste universo, todos os anos mais de 200 alunos frequentam os cursos livres de língua portuguesa.
Cátedra criada em abril
Mas engana-se quem atribui às ligações históricas com Portugal, o interesse dos estudantes goeses pela língua de Camões. Delfim Silva sublinha que estes “escolhem o português mais pelo futuro do que pelo passado” e revela que os cursos de Língua e Cultura Portuguesas são frequentados por funcionários dos arquivos, das bibliotecas, advogados, tradutores, investigadores e outros técnicos especializados “que no seu dia a dia contatam com documentos escritos e outras fontes onde a proficiência em português é necessária”. A constante solicitação de especialistas em língua portuguesa por parte de empresas e multinacionais da Índia que têm negócios com o mundo lusófono, e outro motivo. E a Universidade de Goa é a única a oferecer, em todo o subcontinente indiano, o B.A. e o M.A. em Português – qualificação fundamental para o exercício da docência.
A esta oferta veio juntar-se a Cátedra Joaquim Heliodoro da Cunha Rivara – oficialmente criada através da celebração do Protocolo em Goa, a 7 de abril deste ano – e que irá, nas palavras do leitor, “dinamizar os Estudos Portugueses em Goa, permitindo consolidar os programas já existentes e abrir novas condições para o aprofundamento das linhas de investigação no domínio dos Estudos Indo-Portugueses comparativos, quer sejam na área da linguística, da literatura ou das expressões culturais e interartísticas”. A Cátedra veio, assim, abrir o caminho a um programa de Estudos Portugueses mais avançado, conclui Delfim Silva.
Para além do ensino, diversas atividades culturais ajudam a dinamizar a língua portuguesa. De entre muitas, Delfim Silva destaca o projeto ‘ForLinGoa’ organizado pelas Universidades de Aveiro e de Goa, financiado pelo IPAD, e que levou a Portugal, em 2011, dez professores goeses para um curso de verão. O Festival de Cinema Lusófono, iniciado em 2008 em colaboração com o Chowgule College e organizado desde há dois anos pelo Consulado Geral de Portugal em Goa é já uma referência cultural. A estes juntam-se palestras e conferências, visita de académicos, investigadores e escritores, organização de oficinas de trabalho para professores, workshops de escrita criativa e o lançamento do Prémio Literário Escolar ‘Viagens Na Minha Terra’, para alunos dos ensino secundário e superior.
Por tudo isto, Delfim Silva acredita que Goa “pode e deve assumir-se como um centro de excelência no ensino-aprendizagem do Português Língua Estrangeira e dos estudos lusófonos”. “Mais do que um sonho”, sublinha, é uma “aspiração lógica de todos aqueles que têm, com abnegação, contribuído para a promoção da Magna Língua Portuguesa nesta região”.

 

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