O trabalho, intitulado “Canções para Abreviar Distâncias: uma viagem pela língua portuguesa”, baseia-se em oito poemas musicados de poetas dos países de língua oficial portuguesa, incluindo o poema “Na hora de pôr a mesa” de José Luis Peixoto.

Diversidade da Lusofonia

Cássia de Abreu, docente no Departamento de Linguagens e Literaturas em Português e Espanhol, desenvolveu um projeto de ensino baseado no álbum para os alunos de português de nível intermediário. A novidade foi posta em prática no primeiro semestre deste ano letivo.

“A música ajuda na aprendizagem”, explicou à Lusa a professora.

“É uma conexão cognitiva e emocional que os alunos criam, um vínculo com a música e com a voz. Quero apresentar o mundo lusófono aos meus alunos através da música e da cultura”, acrescentou.

Uma vez que as letras cantadas por Isabella Bretz são poemas originários dos quatro cantos da lusofonia, cada grupo de alunos escolheu um país para pesquisar e analisar.

“Eles tinham que partir do autor, quem era no tempo e no espaço daquele país, a localização geopolítica, histórica, e a sua carreira”, descreveu Cássia de Abreu.

Os resultados superaram as expectativas, garantiu a docente, o que validou o projeto e significa que irá continuar nos próximos anos letivos.

“Eles saíram a falar mais fluentemente, entendendo muito mais sobre a importância do português pelo mundo, a validade de falar português”, frisou.

Não só o semestre foi baseado no álbum como a própria artista Isabella Bretz participou ativamente no processo, disponibilizando-se para ser entrevistada pelos estudantes, ajudando na pesquisa de materiais e assistindo à apresentação dos projetos finais.

“Quero continuar, porque o resultado do projeto foi muito positivo, tanto como ferramenta linguística para desenvolver a fluência deles como também temática de discussão nas aulas de português”, disse Cássia de Abreu.

“Eles vão sair do programa com uma visão global da lusofonia”, assegurou.

Entre os estudantes há lusodescendentes, filhos ou netos de brasileiros e um grupo crescente de alunos que são falantes de espanhol e querem agregar o português como língua adicional.

“É o meu objetivo mostrar que todos esses povos são conectados pelo nosso vínculo com a lusofonia e com a nossa herança, que talvez se tenha perdido em nomes e sobrenomes mas continua viva através da nossa língua”, acrescentou a professora.

O projeto foi submetido para apresentação na conferência anual da ACTFL – American Council on the Teaching of Foreign Languages (Conselho Americano para o Ensino de Línguas Estrangeiras), que tem um grupo de interesse especial para a língua portuguesa, do qual Cássia de Abreu faz parte.

Se for aceite, “poderão ser criados projetos similares ou iguais, que utilizem a riqueza desse material nas aulas de português, apresentando o português como uma língua do mundo”.

O próximo objetivo do departamento é levar Isabella Bretz, que mora em Portugal, até à Universidade de San Diego – e potencialmente outras universidades norte-americanas com ensino de português – para fazer apresentações no âmbito deste projeto de ensino.

O álbum, inteiramente disponível no canal de YouTube da cantora e compositora, também faz parte da Fonoteca do Museu Virtual da Lusofonia, um projeto da Universidade do Minho.

 

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FONTE > IILP

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