Marcelino Barros – mais conhecido por “Bizuka” – nasceu em Angola, mas cedo se mudou para Portugal. O amor pelo surf ganhou-o nas praias lusas. Competiu nacional e internacionalmente, procurou as melhores ondas nos cinco continentes. Fundou uma escola, trabalhou com várias marcas e lançou um projecto empreendedor ligado à modalidade. Até que um dia regressou a Angola e ficou “viciado nas ondas do país que o viu nascer”.

Aqui surfou ondas com centenas de metros de distância, em praias quase desertas, de Cabo Ledo ao Namibe. Algo quase único no mundo, e que não poderia guardar só para si. Pôs mãos à obra, alicerçado na certeza de que o nosso país tem potencial para se afirmar como referência do surf à escala mundial, e fez nascer o Angola Waves, o primeiro operador turístico direccionado para o surf em Angola. Americanos, israelitas ou portugueses já conheceram as tais “ondas perfeitas”. Mas a oferta não se fica por aqui: aulas de surf, surftrips, passeios às quedas de água do Sumbe, visitas ao Parque Nacional da Kissama ou “viagens” de SUP no Kwanza são outras propostas do projecto, que promete ajudar a colocar Angola na crista da onda do turismo.

Angola Waves, o primeiro operador turístico direccionado para o surf em Angola. Como é que surgiu este projecto?

O potencial de surf em Angola já é conhecido por muitos, a ideia deste projecto nasce da vontade de partilhar estas ondas perfeitas que temos aqui com outros surfistas!

Quem é o Marcelino Barros “Bizuka”? Desde quando esta paixão pelo surf?

Marcelino Barros, conhecido por todos como “Bizuka” nasceu em Angola em 1980 mas viveu maioria do tempo em Portugal e foi lá que começou a surfar em 1991. Desde o primeiro dia que o surf se tornou na sua prioridade de vida e desde essa altura esteve sempre ligado ao surf.

Competiu tanto a nível nacional como internacional, viajou pelos cinco continentes em busca das melhores ondas e, no percurso da sua vida profissional construiu a primeira escola de surf em Carcavelos, trabalhou com várias marcas de surf e lançou um projecto de empreendedorismo para venda de material técnico de surf.

Em 2003 visitou Angola juntamente com um dos fotógrafos mais conceituados no mundo surf, John Callahan e outras personalidades importantes do surf mundial, e ficou logo viciado com as ondas do país que o viu nascer. Hoje em dia é o gerente do Angola Waves!

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Acredita que Angola tem potencial para ser uma referência no turismo de surf a nível mundial?

Não só acreditamos como temos a certeza disso. A qualidade das ondas, a extensão e beleza da costa, a temperatura da água e neste momento Angola oferece algo que é quase único no mundo, ondas sem “crowd”. Além disso Angola é um país lindo e que para além do turismo de surf tem tudo para ser uma referência no turismo mundial. Todos os dias temos assistido a uma crescente atenção sobre este assunto, não só pelas entidades angolanas como por grupos estrangeiros que mostram interesse em investir no país e no sector.

O que é que as nossas praias e as nossas ondas têm que outras não terão?

Ou melhor, o que as outras têm que as nossas não têm? Surfistas! Hoje em dia os principais destinos de surf, Indonésia, Havai, Maldivas etc. etc. as suas ondas estão lotadas de surfistas. Cada vez é mais difícil arranjar destinos com ondas boas e pouca gente. Em Angola oferecemos as verdadeiras férias de crowd!

One wave @Cabo Ledo

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Publicado por ANGOLA WAVES em Sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Onde estão as melhores ondas da nossa costa?

De norte a sul! É incrível porque quanto mais procuramos, mais ondas encontramos! Neste momento os dois pontos mais conhecidos de surf são a zona de Cabo Ledo e o Namibe.

Cabo Ledo devido à sua proximidade de Luanda, da sua beleza única e da qualidade da sua onda faz dela a mais conhecida de Angola. A zona do Namibe tem vindo a criar um grande apetite por parte dos surfistas profissionais, depois do lançamento de um vídeo que ficou viral nas redes sociais e da visita de outro grupo de surfistas espanhóis e americanos. A grande qualidade da maioria das ondas em Angola é a extensão que as ondas percorrem, onde é normal ter praticantes a surfar ondas com mais de 1000 metros de distância.

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Como é que o Angola Waves pretende dinamizar este turismo especializado?

Este foi o ano piloto para o Angola Waves, foi o ano de lançamento! Encontrámos algumas dificuldades, principalmente na imagem que o país tem no estrangeiro. A ideia errada que Angola se resume a Luanda é o principal desafio. Para grande maioria das pessoas com quem contactamos Angola é um país perigoso, cheio de doenças e só lixo! O que as pessoas não sabem é que quando saímos de Luanda encontramos um lugar completamente oposto! A simpatia das pessoas, o sossego nas províncias e as belezas naturais são praticamente desconhecidas… Aproveitando que Angola está a ir na direcção da internalização do turismo, com a alteração dos vistos de turismo – hoje em dia é mais fácil obter vistos – todo o nosso esforço está na promoção da imagem de Angola, das suas ondas e praias!

 

O que é que posso esperar se comprar um pacote “surf trip”?

O principal é a oferta de umas verdadeiras férias de crowd, como dizemos na nossa gíria, “Empty Lineups”! Surfar todos os dias, altas ondas e sem ninguém… Depois a oportunidade de dormir em cima da praia a cinco metros a pé de uma onda com mais de 800 metros de extensão, de conhecer uma Angola quase desconhecida nas nossas buscas a outras praias entre Luanda e o rio Longa e, isto tudo na companhia de profissionais apaixonados pelo surf.

 

Quanto é que pode custar uma aventura destas pelos point breaks angolanos?

Os nossos pacotes começam nos 1000 euros por pessoa para sete dias com tudo incluído (sem avião).

 

Tem ideia de quantas pessoas já contrataram os vossos pacotes? De que nacionalidades?

Já foram vários, tivemos desde americanos, a israelitas ou portugueses.

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Acha que, para além do turismo internacional, o surf poderá atrair também aficionados locais?

Claro, temos também pacotes para o mercado nacional. Quem quiser aprender a surfar ou fazer uma surf trip a outras praias mais a sul de Cabo Ledo pode contar com o Angola Waves para ter um fim-de-semana com muito surf, diversão e aventura. Temos pacotes com um mix de experiencias, desde o surf aos passeios às quedas de água do Sumbe, a passeios de SUP no Kwanza ou visitas ao parque Nacional da Kissama.

 

Porque é que Angola ainda não é essa tal referência do surf à escala global? O que é que falta ao nosso país?

Falta tempo. Tempo para promover, tempo para criar as condições necessárias para receber turistas, mais serviços, mais unidades hoteleiras e mais profissionais. Nada acontece de um momento para outro, e se avaliarmos um mercado que nos é próximo, Portugal só nos últimos 20 anos é que começaram a promover o surf, primeiro foram os surfcamps e as escolas de surf, e depois o governo português percebeu o potencial e começou a investir em campeonatos e eventos de surf e a usar o surf como ferramenta de promoção do turismo, onde podemos dar como exemplo o enorme projecto de desenvolvimento da onda da Nazaré com o surfista americano Garrett McNamara. O resultado deste trabalho deu-se com o boom do surf nos últimos cinco anos e hoje em dia o surf é dos desportos mais praticados e uma das principais actividades de promoção do turismo português.

 

Como é que o Angola Waves planeia evoluir no futuro? Têm novas ideias?

Sem evolução morremos na praia… Temos alguns planos mas ainda temos muito trabalho para fazer para que este primeiro objectivo, de sermos um operador turístico, se solidifique e que ganhe novas formas de acção. Nós sabemos que Angola não é o único país com ondas boas e sem surfistas, estamos de olhos nesses mercados também.

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FOTOS: António Gamito

 

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