A ficcionista Molly Antopol numa sessão de leitura com Jacinto Lucas Pires | GUSTAVO BOM/GLOBALIMAGENS

A sexta edição da iniciativa reúne escritores conhecidos e emergentes dos EUA interessados no que se escreve em Portugal.

Uma delegação de meia centena de norte-americanos veio ao Chiado fazer uma radiografia sobre a literatura portuguesa… Esta podia ser a frase inicial se a “inspeção” fosse oficial em vez de um programa cultural que envolve pelo sexto ano consecutivo dezenas de escritores que vêm da América do Norte para debater com autores nacionais. É o Disquiet, por causa do Desassossego de Fernando Pessoa, organizado pelo Centro Nacional de Cultura (CNC), a Dzank Books e a FLAD.

A iniciativa conta com escritores norte-americanos que vêm também orientar as aulas e workshops, além de seis dezenas de nomes iniciantes ou já com sucesso editorial, entre os 21 e 77 anos de idade. Uma diversidade de interesses que se nota bem no intenso programa de duas semanas em que irão debater com um amplo grupo de escritores portugueses a literatura nacional.

No teatro São Luiz já estiveram Richard Zimler, Rui Zink e Margarida Vale de Gato, para dialogar com os americanos a propósito do lançamento de uma antologia de 29 autores emergentes daquele país. Jacinto Lucas Pires esteve na Livraria Ferin a fazer uma leitura de The True Actor, o seu livro publicado nos Estados Unidos. A delegação americana irá conversar com muitos outros autores portugueses até dia 15 e trocar experiências ao nível da criação literária. José Eduardo Agualusa e Teolinda Gersão, ambos traduzidos nos EUA, serão alguns da lusofonia que irão participar. Entre os escritores do lado de lá estarão os traduzidos em língua portuguesa, Denis Johnson e Katherine Vaz, bem como vários romancistas, contistas e poetas premiados: Padgett Powell, Frank X. Gaspar, John Hennessy, Annie Liontas, Erica Dawson, R. Dean Johnson ou Sabina Murray, entre outros.

Que têm como particularidade serem lusodescendentes. É também o caso de um dos responsáveis da criação do Disquiet, Jeff Parker, que tinha um avô que viveu a diáspora e o fez interessar-se por Fernando Pessoa e muito mais: “Aos 19 anos tive vontade de vir cá e o interesse na literatura fez-me pensar no Disquiet. Nos EUA existem muitas comunidades e a portuguesa não tem uma voz assim tão importante. Esta era uma forma de a fazer ouvir.” O Disquiet ultrapassa o discurso da luso-descendência. Segundo a organizadora do CNC, Teresa Tamen, “desde a primeira edição que os que pretendem saber mais sobre o país dos antepassados não representam mais de uns 10 %.”

Apesar de a sede do CNC ser no Chiado e os locais onde se realizam a maioria das sessões estar nas proximidades, não há vocação turística no programa. “Os escritores não vêm fazer uma visita, mas viver uma experiência literária profunda”, explica Jeff Parker. Acrescenta: “Após cinco edições, o cenário português aparece em muitos dos seus trabalhos, que já fazem uma lista muito longa. Escreveram-se textos sobre os escritores portugueses com quem falaram, há entrevistas publicadas, bem como artigos académicos ou de viagem para revistas. Muitas das ruas portuguesas estão nas histórias que escreveram.” A exceção no sentido do intercâmbio entre os EUA e Portugal foi a ida de Jacinto Lucas Pires àquele país, por ocasião da tradução do seu livro O Verdadeiro Ator. “Essa foi a única vez em que o Disquiet foi ao outro lado do Atlântico, com varias leituras em universidades”, refere Parker.

Segundo Teresa Tamen, Fernando Pessoa é um dos autores incontornáveis: “Em Lisboa não se é capaz de fugir ao poeta por mais que se queira.” Para Parker, um dos momentos “mais impressionantes” do convívio com autores portugueses foi com António Lobo Antunes: “Falou brilhantemente durante 45 minutos e toda a gente estava fascinada. É um génio.”

PUBLICAÇÃO > D.N.

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