A cantora luso-caboverdiana Sara Tavares abriu o Carnaval do Recife ao lado de Nana Vasconcelos, Lenine e ao som de uma batukada contagiante de 500 tambores. A aventura prometia e o A NAÇÃO quis saber alguns dos pormenores que farão parte do “livro” de experiências da “mana” Sara.

A cantora luso-caboverdiana Sara Tavares abre hoje o Carnaval do Recife ao lado de Naná Vasconcelos, Lenine e ao som de uma batukada contagiante de 500 tambores. A aventura promete e o A NAÇÃO quis saber alguns dos pormenores que farão parte do “livro” de experiências da “mana” Sara.

Como surgiu este convite?

O convite para vir participar na abertura do Carnaval no Recife partiu de uma pessoa que admiro muito, desde há muito tempo, o grande mago da percussão Naná Vasconcelos. Há cerca de dois anos para cá que o Naná tem me vindo a convidar mas só agora pude aceitar. Como são 11 dias de carnaval, por vários motivos não consegui vir antes, mas o convite manteve-se, o que me deixa muito comovida e aqui estou…

Como foi a preparação para a “folia”? 

Temos ensaios diários, primeiro num estúdio com a banda do Naná, que se chama Batukafro e um coral feminino que se chama Voz Nango. Nos dois últimos dias os ensaios já foram no palco principal onde se vai passar a abertura do Carnaval, numa praça emblemática onde é o berço da cidade do Recife, que se chama Marco Zero.

Esses ensaios têm sido mágicos porque já contam com a participação dos grupos de Maracatu: 500 percussionistas a tocar em simultâneo.

Deve ser espectacular e culturalmente muito rico…com muito Glamour à mistura

Sim. São 11 nações (grupos) de Maracatu recifenses, tocando o mesmo ritmo mas cada um com seu toque diferente. É uma energia contagiante, cura a tristeza de qualquer um, é muito mais que Glamour, é magia. Este povo é extremamente espiritual, e o ritmo Maracatu, e o Carnaval do Recife, é todo um grande ritual que dura vários dias.

Vai surgir alguma parceria dessa aventura? 

Tudo é parceria; em palco o Naná Vasconcelos dirige tudo, é ele o “Guia” de tudo o que se passa, por vezes engraçado porque muda de direcção na hora e tem ali várias centenas de pessoas a segui-lo, inclusive eu. Canto com ele, com Lenine mas a grande colaboração é com aqueles quinhentos tambores e a minha voz ecoando lá no cimo…

Como vai ser o desfile, vais usar algum disfarce?

Haverá um cortejo pelas ruas, do qual farei parte. Esse cortejo desemboca no palco, onde cantarei de seguida no palco com Naná e todos os outros integrantes. Não usarei fantasia mas sim criações de Tunga Ne e Maria Mendes da Silva, dois jovens criadores cabo-verdianos.

Qual vai ser o repertório?

Cantarei um Batuku surpresa. A “mana” Lura, convidada especial no ano passado, fez com que se apaixonassem aqui pelo Batuku e o Naná fez questão de tocar um Batuku…

Cantarei também o “Balance”, e um tema meu e da Nancy Vieira, inédito mas já conhecido de quem assiste aos meus concertos ao vivo, que se chama Ginga, uma alusão à Nobreza africana na pessoa da Rainha Ginga.

Já encontraste ou sentiste o cheirinho a Cabo Verde por aí? 

Sim, não só nos ritmos, que fazem lembrar a Tabanka, Coletxa do Fogo, mas também porque alguns grupos até usam as cores de Cabo Verde, azul, vermelho e branco. Ontem reconheci alguns jovens de Cabo Verde junto dos grupos de Maracatu, e a energia que se vive aqui também me faz lembrar muitíssimo a energia que se vive nesta altura na cidade do Mindelo…a cidade toda mobilizada e em sintonia, todos sentindo a mesma ansiedade e expectativa para brincar ao Carnaval.

Como está a preparação do novo álbum, podes levantar a ponta do véu? 

O meu disco já está no lume…tenho várias ideias e possibilidades…

O meu método é recolher composições e ideias até entrar em estúdio, como se fosse uma maternidade. Pretendo entrar em estúdio durante a Primavera e quero gravar em Lisboa, Cabo Verde e Paris…Mas, até nascer nunca sei bem a cara do “bebé”, deixo-me guiar pelo instinto. Desta vez as criações  não serão maioritariamente minhas, mas sim nascidas de rodas de criação conjunta, dá para entender?

Vai acontecer sem pressa nem ansiedade para que fica bem sab!

Gisela Coelho

PUBLICAÇÃO > A NAÇÃO

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