Portugal e Uruguai querem cooperar para recuperar e “salvaguardar” as marcas portuguesas em Colónia do Sacramento, cidade do sul do Uruguai, disse à Lusa a presidente da Academia Portuguesa de História (APH), Manuela Mendonça.

O desejo de cooperar para “fazer uma história comum” saiu do 1.º Seminário Luso-Uruguaio de História “Sacramento: cidade na rota portuguesa”, que decorreu entre quinta e sexta-feira feira em Colónia do Sacramento, com representantes e académicos dos dois lados do Atlântico.

A ideia é “ajudá-los [uruguaios] nesse encontro com esse passado” e levar esse conhecimento a Portugal, visto que em terras lusas “a maioria das pessoas não sabe o que foi a Colónia do Santíssimo Sacramento”, disse a presidente da APH.

Colónia de Sacramento, situada junto ao Rio da Prata e em frente a Buenos Aires, tem origem na antiga Colónia do Santíssimo Sacramento, que foi fundada em 1680 a mando de Portugal, e a sua história ficou marcada por disputas entre portugueses e espanhóis.

O seminário, organizado pela embaixada portuguesa em Montevideu e com o apoio de diversas entidades portuguesas e uruguaias, contou com a presença da secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Maria Fernanda Rollo, e da secretária de Estado da Educação e Cultura do Uruguai, Edith Moraes.

Entre várias personalidades, esteve também a diretora regional de ciências para a América Latina e Caraíbas, da Unesco, Lídia Brito, ex-ministra do Ensino Superior de Moçambique.

No seminário de dois dias foram criadas as raízes para “um projeto de cooperação e de ligação” entre as autoridades dos dois países, destacou.

“Nós gostaríamos muito que viesse a ser possível fazer equipas técnicas conjuntas, porque há toda uma série de ruínas e de subsolo, que precisa de ser posto a nu, de ser estudado e confrontado com os documentos, porque existem muitos documentos sobre a estadia dos portugueses aqui”, disse, falando em equipas multidisciplinares dos dois países.

Segundo a presidente da APH, “há muitas ruínas à mostra, mas há muita coisa para escavar, há muita coisa no subsolo”, para além de ser ainda necessário “um projeto de arqueologia subaquática”, porque “provavelmente há uma riqueza imensa” no Rio da Prata.

Manuela Mendonça destacou que a presença portuguesa na cidade é “fortíssima” e ultrapassa o património material.

“É também um bocado o património humano que aqui ficou, porque em cada canto se encontra gente descendente de portugueses, gente muito ligada a Portugal”, sublinhou.

A historiadora deu conta também da herança lusa no falar das gentes da cidade, dado que, apesar de o idioma oficial ser o espanhol, há pessoas que ali usam palavras portuguesas, como “bom dia”.

Segundo a mesma responsável, ficou acordado entre os participantes tentar organizar um novo seminário no próximo ano.

 

PUBLICAÇÃO > RTP

 

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