Até 13 de Novembro, a Galeria de Exposições da Avenida da Praia recebe duas exposições de arte contemporânea. Os artistas, oriundos de Timor-Leste e de Portugal, estiveram ontem presentes na cerimónia de abertura das respectivas mostras. Ambos os certames integram o cartaz da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa.

A arte contemporânea faz, desde o final da tarde de ontem, parte integrante do mapa de concretizações que se multiplicam pelo território no âmbito da 8.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa. A inauguração de duas exposições – uma assinada por um artista de Timor-Leste e a outra da autoria de um artista de Portugal – levou à Avenida da Praia representantes das comunidades lusófonas radicadas no território. As duas mostras sobrevivem à Semana Cultural e deverão permanecer patentes ao público até 13 de Novembro.

De Timor-Leste chega Alfeo Sanches com trabalhos que evocam ideais de liberdade. Enaltecendo as tradições culturais timorenses e o activismo político nas suas criações, o artista é uma figura de proa do “Movimento Kultura” que germinou após a independência da mais jovem nação do continente asiático e que se propõe reforçar a crescente expressão cultural e artística dos jovens: “O nosso jovem país atingiu a independência por causa dos grandes sacrifícios dos heróis de Timor. Acho que a minha obrigação – a nossa obrigação – é continuar a elogiá-los e a contar a história deles. É por causa dos seus sacrifícios que hoje somos livres e temos liberdade de expressão, algo que tem de continuar a existir no futuro não só para mim, mas também para os meus netos e netos dos meus netos”, defendeu Alfeo Sanches em declaração ao PONTO FINAL.

O artista timorense diz que os trabalhos que traz a Macau são a “expressão do [seu] coração”: “Pintar – ou a arte no geral – é como a vida”, sustenta. As obras que Alfeo seleccionou para expor em Macau mostram o seu “eu” e espelham várias questões que o inquietam: “Além do caso da Austrália e a nossa fronteira marítima, também há outros aspectos como a minha família, a minha comunidade ou as relações que temos em Timor-Leste. São aspectos da minha vida artística e pessoal”, admite o artista plástico timorense.

Danilo Afonso-Henriques conheceu Alfeo Sanches e o seu trabalho em 2011 quando trabalhava na embaixada de Timor-Leste na República Popular da China: “Comprei a primeira tela dele em 2011”, disse o agora delegado de Timor-Leste no Fórum Macau.“Ele estava num grupo de artistas refugiados que fizeram parte da escola e centro cultural ‘Art Moris’ [em português, “Arte Viva”] à qual o ex-presidente de Timor-Leste, José Ramos Horta, dava apoio. Conheci-o, vi uma pintura e comprei. Mantivemos o contacto e, quando a oportunidade surgiu este ano [no âmbito da Semana Cultural], pensei que ele poderia vir cá”, explica o diplomata.

Depois de ter participado em exposições na Suíça e na Austrália e de se ter envolvido em algumas colaborações com países vizinhos, nomeadamente a Indonésia, Alfeo Sanches estreia-se em Macau, mas admite que ainda não conseguiu captar a essência do território: “Reparei que na rua não há muita música, não há ‘graffitis’ ou arte de rua. Quero, ainda assim, saber o que a comunidade de Macau pensa sobre a actividade artística e quais são as suas opiniões e ideias”, remata.

 

“Histórias” que dialogam

Se Alfeo Sanches se estreia no território, para Jorge Martins a vinda a Macau já é a terceira. O pintor português trouxe consigo uma selecção muito restrita da sua obra para expor em “Histórias”. Com uma carreira que se estende já por mais de seis décadas, Martins lembrou ao PONTO FINAL que esteve pela primeira vez na RAEM há 30 anos, mas que não conhecia o espaço onde as suas pinturas estão desde ontem expostas: “É difícil fazer uma selecção para uma exposição sem se conhecer o espaço. Eu tinha apenas a planta. De modo que decidi optar por uma selecção muito fechada com obras de carácter muito figurativo, digamos assim. Apesar de tudo, há coisas muito contrastadas: umas muito coloridas e outras a preto e branco, mas o que sobressai daqui são figuras que estão mais ou menos em situações que se podem chamar cinematográficas ou teatrais”, assume.

Na cor e no preto e branco manifestam-se linguagens e posturas distintas e apostar numa e noutra circunstância é optar por ver a árvore ou por enfrentar a floresta, explica o artista plástico: “É como compor uma peça para um violino solo ou compor uma peça para uma orquestra onde temos todas as cores dos instrumentos”, sublinha Jorge Martins.

A processo de harmonização apresenta-se como um factor preponderante para o sucesso de uma exposição, defende o pintor português. As obras precisam de se relacionar entre si para que exista um fio condutor coerente tendo em conta que, por vezes, foram produzidas com vários anos de intervalo. Jorge Martins acredita que a sua exposição assume, por isso, uma teatralidade não intencional: “É uma espécie de teatro com quadros que criam diálogos que não foram inventados à partida. É quase como pintar um quadro novo que tem de mostrar uma certa lógica ao espectador”, assume  o artista. O propósito é um só: fazer com que cada obra respire por si e inspire, perturbe, intrigue ou transporte o público para uma qualquer zona enigmática e é isso que constitui, no fundo, o aspecto verdadeiramente importante para o artista.

As exposições estão patentes na Casa de Exposições da Avenida da Praia e recebem visitantes entre as 10h e as 19h. A entrada é gratuita.

 

PUBLICAÇÃO > PONTOFINAL
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