A balança comercial brasileira registrou o melhor resultado em 28 anos. Em março de 2016, o superávit, diferença entre as exportações e as importações, foi de quase US$ 4,5 bilhões – a melhor marca para o mês de março em toda a série histórica, iniciada em 1989.

Em março, as exportações chegaram a quase US$ 16 bilhões, e as importações alcançaram mais de US$ 11,5 bilhões. A corrente de comércio ultrapassou US$ 27,5 bilhões.

O diretor do Departamento de Estatística e Apoio às Exportações (Deaex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Herlon Brandão, explicou que a redução no valor exportado em março se deu principalmente pela queda no índice de preço, já que houve aumento no índice do quantum exportado. “Em março de 2016, o preço médio das exportações caiu 17,4%, enquanto a quantidade aumentou 15,7%”, afirmou. Por outro lado, Brandão destacou que a queda das importações foi consequência de uma redução tanto no preço quanto nas quantidades.

 

Cédula de real.
MARCOS SANTOS / USP IMAGENS


Microfranquias é setor da economia que não sabe o que é crise

 O diretor do Deaex lembrou ainda que a alta dos preços recentes de minério de ferro e petróleo ainda não compensou a queda.

“Em março de 2015, por exemplo, o minério de ferro era vendido a U$ 45 a tonelada, enquanto em março de 2016 o preço médio foi de U$ 26. Da mesma forma, o barril do petróleo em março de 2015 era negociado a U$ 47, e em março deste ano a U$ 25,1.”

Ainda de acordo com Herlon Brandão, os destaques das exportações brasileiras foram a soja, o milho e as carnes bovina e de frango, além de aviões e automóveis.

“Embora haja uma redução nos preços, o significativo volume embarcado tem compensado isso, e também as carnes têm apresentado um bom desempenho neste começo de ano. A carne de frango tem aumentado significativamente, a carne bovina também, principalmente para a China. Sabemos que houve uma liberação desse mercado em meados do ano passado. Então, isso tem ajudado o desempenho das exportações como um todo.”

Segundo ainda o diretor do Deaex, a redução na exportação de básicos foi compensada pelo início do embarque da soja, com aumento de 49,8% na quantidade exportada, confirmando assim a previsão do Governo de que em 2016 serão exportadas 56 milhões de toneladas de soja.

“A safra deste ano começou a entrar mais cedo, o que deve confirmar as estimativas oficiais de que teremos um resultado em 2016 de 56 milhões de toneladas, superando o número de 2015, que foi recorde, de 54 milhões de toneladas.”

No setor dos manufaturados, as exportações de automóveis foram destaque em março, incentivadas principalmente pela renovação de acordos automotivos com Argentina, México e Colômbia.

 

(FMI) Fundo Monetário Internacional
© AP PHOTO/ ITSUO INOUYE


Diretor do FMI, exclusivo: ‘Risco de piora na economia mundial não pode ser desprezado’

 Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram que as vendas de veículos registraram um aumento de 17% no número de unidades e de 15,3% em valor, se comparadas com o mesmo período do ano passado. O diretor do Deaex destacou que os principais destinos foram Argentina, Colômbia, Chile e México, e a procura foi por automóveis de passeio.

Em comparação a março de 2015, o Brasil aumentou exportações de veículos para China, em 12,3%, Oriente Médio, em 12%, e Canadá, em 8,8%.

Já sobre as importações, a crise econômica provocou queda das compras feitas pelo Brasil a todos os seus parceiros comerciais, com exceção do Canadá, onde o Brasil comprou 41,7% a mais do que em março do ano passado, e do Oriente Médio, que teve alta de 10,5%. Herlon Brandão esclareceu que o Brasil importou desses locais principalmente fertilizantes.

 

PUBLICAÇÃO > SPUTNIK

 

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