Poucas foram as vezes em que a cidade de São Paulo abrigou ao mesmo tempo tantas obras de artistas portugueses quanto a programação que acontecerá nos próximos meses. Ao menos três exposições estão sendo abertas nesta semana em que a 32ª Bienal de São Paulo também tem início.

Poucas foram as vezes em que a cidade de São Paulo abrigou ao mesmo tempo tantas obras de artistas portugueses quanto a programação que acontecerá nos próximos meses.  Ao menos três exposições estão sendo abertas nesta semana em que a 32ª Bienal de São Paulo também tem início.

A partir desta quinta-feira, 08, a cidade de São Paulo ganha a maior exposição de arte contemporânea portuguesa que já desembarcou no País: Portugal Portugueses – Arte Contemporânea , com 270 obras de mais de 40 artistas de grande nome da arte portuguesa da atualidade que poderão ser vistas no Museu Afro Brasil, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.

Trazida ao País pela Energias de Portugal (EDP), com o apoio do Instituto EDP, responsável pela coordenação das ações socioambientais do grupo, a exposição reúne obras que mostram a relação entre o Brasil, Portugal e a África que apontam para a influência das culturas portuguesa e africana na formação da cultura brasileira.  “A iniciativa de trazer para os brasileiros uma exposição do porte desta que desembarca em São Paulo faz parte da proposta da EDP adotada nos últimos 20 anos de disseminar a cultura portuguesa nos locais onde o grupo tem presença”, conta Paulo Ramicelli, do Instituto EDP.

Entre as obras estão pinturas, esculturas, fotografias e instalações dão uma perspectiva da arte lusitana. Um dos destaques são as obras do artista plástico e pintor Albuquerque Mendes, de 63 anos. Seu trabalho retrata mulheres e homens negros, brancos e indígenas com a proposta de ressaltar a miscigenação e ao mesmo tempo as semelhanças entre as pessoas.

Ouro destaque é a instalação de Joana Vasconcelos, uma das maiores representantes portuguesas da arte internacional, denominada Coração Independente Vermelho, obra com a forma de um coração de Viana, em alusão à filigrana associada à cidade portuguesa Viana do Castelo, no norte do país e também uma associação ao culto do Sagrado Coração de Jesus.

Ao todo são 3.000 metros quadrados de exposição que abrigarão ainda as obras dos artistas Ana Vieira, Antonio Manurel, Artur Barrio, Ascânio MMM, Cristina Atraíde, Didier Faustino, Fernando Lemos, Francisco Vidal, Gonçalo Pena, Helena Almeida, João Fonte Santa, João Pedro Vale e Nuno alexandre Ferreira, Joaquim rodrigo, Joaquim Tenreiro, José de Guimarães, José Loureiro, José Pedro Croft, Jorge Molder, Julião Sarmento, Lourdes Castro, Manuel Correia, Maria Helena Vieira da Silva, Michael de Brito, Miguel Palma, Miguel Soares, Nuno Ramalho, Nuno Souza Vieira, Orlando Azevedo, Paula Rego, Paulo Lisboa, Pedro Barateiro, Pedro Cabrita Reis, Pedro Valdez Cardoso, Rui Calçada Bastos, Sofia Leitão, Teresa Braula Reis, Tiago Alexandre, Vasco Araújo, Vasco Futscher e Yonamine.

Paralelamente à mostra Portugal Portuguesas – Arte Contemporânea, a 32ª Bienal de São Paulo abrigará cinco artistas portugueses: Carla Filipe, Gabriel Abrantes, Grada Kilomba, Lourdes Castro e Priscila Fernandes, dando a Portugal a segunda maior representatividade na bienal, atrás apenas do Brasil.  Esses mesmos artistas estarão ainda na exposição aberta na quarta-feira, 7, no Consulado Geral de Portugal sob o tema O Futuro Será uma Réplica, com a participação do ministro da Cultura de Portugal, Luis Filipe Castro Mendes, e também patrocinada pela EDP.

A coleção de livros da consagrada artista plástica Lourdes Castro, de 85 anos, uma das artistas vivas mais importantes de Portugal, que desde a década de 80 vive recolhida na Ilha da Madeira e reaparece agora nesta exposição. Priscila Fernandes, artista com formação fora de Portugal que vive atualmente na Holanda, e que tem forte relação com Portugal além de Gabriel Abrantes, que tem seu trabalho todo debruçado nas questões lusitanas, diz Isabella Lenzi, da curadoria do Consulado de Portugal em São Paulo.

“Gabriel Abrantes é o artista que questiona muito as versões da história, é um artista quilombola, com herança em São Tomé e Principe, com obras denotando um traço africano forte”, diz Isabella. Ela lembra ainda que as obras do artista giram em torno das questões ligadas ao preconceito, ao racismo cotidiano, tocando muito também nas questões dos estudos pós coloniais.  O tema da exposição, conta Isabella, foi tirado de um poema de Carla Filipe sobre o futuro. Carla Filipe mora no Porto e é a única dentre os que se apresentam aqui que, nascida em Portugal ainda reside no país mantendo seu trabalho por lá. “Sua arte fala muito da questão sobre a lógica capitalista, que acaba estourando com a crise que Portugal viveu a partir de 2009, fala da quebra da lógica na dinâmica capitalista diante do grande número de desempregados no País ressaltando que o trabalho é aquilo que te move, dignifica as pessoas e assim sem ele você deixa de ser alguém, é isso que ela questiona”, diz Isabella.

Da artista Lourdes Castro os visitantes poderão conferir os livros que a artista começou a produzir em 1956 e os últimos que são do fim dos anos 80. “Teremos aqui no Consulado todos os livros produzidos pela artista”, diz Isabella.  O chamado Livro Vermelho da artista poderá ser visto na 32ª Bienal de São Paulo. Três homenagens póstumas estarão sendo feitas no consulado a importantes personalidades portuguesas: Beatriz Costa, atriz de cinema e de teatro, com importante participação no teatro brasileiro; Rafael Bordalo Pinheiro, ceramista er caricaturista criador de importantes revistas no Brasil do século 19; e Amadeo de Souza Cardoso, pintor que no Museu Afro Brasil uma reprodução de seus desenhos referentes ao álbum XX Dessins.

Serviço

A exposição Portugal Portugueses – Arte Contemporânea pode ser vista até o dia 8 de janeiro de 2017, com entrada gratuita, de terça a domingo, no horário das 10 às 17 horas, com permanência no museu até às 18 horas. O Museu Afro Brasil fica na Rua Pedro Álvares Cabra, s/n, Parque do Ibirapuera, Portão 10, São Paulo.

A mostra O Futuro Será uma Réplica estará aberta ao público no Consulado Geral de Portugal, à Rua Canadá, 324, Jardim América, a partir desta quinta-feira, 8, até 11 de dezembro, de segundo a sábado, das 10 às 18 horas. A entrada é gratuita.

A 32ª Bienal de São Paulo, aberta na quarta-feira, 7, sob o tema Incerteza Viva, pode ser visitada até 11 de dezembro nos seguintes dias e horários: às terças, quartas, sextas-feiras, domingos e feriados, das 9 às 19 horas, com entrada permitida até às 18 horas. Às quintas-feiras e aos sábados, das 9 às 22 horas, com entrada permitida até às 21 horas. Fecha às segundas-feiras. Entrada gratuita.

 

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