Livros que pertenceram a reis, atravessaram um oceano ou sobreviveram ao terramoto de Lisboa. Muito tem para contar esta Real Biblioteca, fundada em 1756, e que era reconhecida e elogiada na Europa. São três quilómetros de prateleiras cheias de tesouros.

Um ano depois do grande terramoto de 1755, começou esta Real Biblioteca a ser construída perto do Palácio Velho. A nova casa dos livros fazia parte do plano de reconstrução da cidade devastada. Como quase tudo da Lisboa setecentista, o recheio da livraria de D. José I também desaparecera no incêndio que se seguiu ao tremor de terra e as poucas obras que se salvaram foram levadas para o alto da Ajuda, onde o rei e a família passaram a viver num improvisado abrigo de madeira. A Real Barraca, como ficou conhecido o abrigo, foi também ela destruída por um outro incêndio, em 1794, mas os livros já se encontravam protegidos, mesmo ali ao lado, num edifício de pedra e cal.Foi com coleções privadas e doações de obras raras, como os manuscritos do Conde de Redondo ou de Diogo Barbosa Machado, que o rei e o marquês de Pombal deram renovado e valioso património à segunda biblioteca real, agora instalada na Ajuda.

O acervo, que começara a ser constituído no reinado de Afonso V e que ganhara fama de ser o mais rico da Europa com D. João V, que já tinha estado no Palácio da Alcáçova e no Paço da Ribeira, iria sofrer nova desventura. Durante as invasões francesas, quando a corte se viu obrigada a partir para o Brasil, 60 mil livros foram encaixotados e seguiram também viagem para a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Em 1821, D. Luís regressou a Lisboa, mas muitos destes manuscritos ficaram para sempre do outro lado do atlântico.

Esquecidas dentro de caixotes, as obras voltaram a ver a luz do dia quando o monarca ordenou, em 1880, que fossem levadas para a ala nascente do Palácio da Ajuda, onde ainda se encontram. O espólio foi depois laboriosamente tratado e classificado pelo historiador Alexandre Herculano, nomeado bibliotecário e seu diretor. Entre as 150 mil obras que compõem o real depósito, destacam-se vastas coleções de documentos religiosos e musicais, sem esquecer o “Cancioneiro da Ajuda” (século XIII), os “Forais de D. Manuel” (século XVI) e “O Livro das Traças de Carpintaria” (século XVII). Podemos ver aqui algumas destas preciosidades.

 

Ficha Técnica

Tipo: Extrato de Reportagem
Autoria: RTP2 / até ao Fim do Mundo
PUBLICAÇÃO >R.T.P.

 

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